O Dragão Chinês


 O Dragão Chinês

             Em 1949 a China tornou-se formalmente um país de regime comunista depois de longa guerra civil liderada por Mao Tse-Tung. O regime imperial foi então extinto e o partido comunista chinês assumiu a supremacia total do país. Muitos analistas e economistas de todos as matizes (principalmente dos EUA) vaticinaram que a China iria mergulhar em um período de trevas e desorganização administrativa que iria fazer o país retroceder na história de forma quase pré-histórica.
            Com efeito, O Grande Salto (1958-1960) foi uma campanha lançada por Mao Tsé-Tung, que pretendia tornar a China uma nação desenvolvida e socialmente igualitária em tempo recorde, acelerando a coletivização do campo e a industrialização urbana. Tal processo, entretanto, resultou em mais pobreza e desmantelação do sistema produtivo.  Durante décadas a China esteve no ostracismo econômico e raramente aparecia na mídia estrangeira exceto pelos atletas olímpicos e por seu folclore representado pelo dragão, ícone da cultura chinesa.
            A partir da década de 90 a China iniciou um profundo programa de reestruturação econômica onde combinava forte investimento estrangeiro, regulação estatal com uma mão-de-obra muito mal remunerada. O que ocorreu então? A China tornou-se hoje uma das maiores potências  econômicas do mundo.
            O últimos índices econômicos apontam que a China já ultrapassou o Japão e hoje poderia ser o 2º maior PIB do planeta com uma produção doméstica da ordem de 5 trilhões e meio de dólares atrás apenas dos EUA que tem um PIB de 14 trilhões.
            A China tem uma população de 1 bilhão e 350 milhões de habitantes sendo que sua população economicamente ativa atinge 750 milhões de pessoas , a maior do mundo, quase 4 vezes a população economicamente ativa dos EUA. O gigante asiático produz hoje 75 % de todos os relógios e brinquedos fabricados no mundo; mais da  metade das câmeras digitais , contêineres e calçados são produzidos na China. Além disso, a China produz 185 milhões de toneladas de arroz ao ano (14 vezes mais que o Brasil), sua produção automotiva atinge quase 6 milhões de unidades contra 12 milhões dos EUA e 3 milhões no Brasil. Outrossim, a China consegue formar 650  mil engenheiros ao ano contra 47 mil do Brasil. Na outra ponta, a China consome 51% de toda a carne suína produzida no mundo e 40 % de todo o cimento do planeta. .
            É fácil ir em qualquer loja  de nossa cidade e encontrar inúmeros produtos  ( casacos, calçados, camisas, bolsas, eletrônicos, computadores, etc) com o emblema Made in China.
            Seu ponto fraco é a oferta doméstica de petróleo que importa principalmente dos países da OPEP com quem mantém fortes laços de comércio.
            Na seara financeira, o dragão chinês  tem reservas cambiais da ordem US$ 2,4 trilhões (a maior do mundo). Depois  vem o Japão com US$ 992 bilhões. Sendo que mais da metade dessa poupança (dos dois países) é aplicada em títulos da dívida pública dos EUA que tem a  maior dívida pública do mundo ( quase US$ 6 trilhões).
            A recente viagem  do prefeito Adolfo Fetter que participou da Expo-Shangay 2010 é elogiável e necessária no sentido de estreitar as relações econômicas o país que mais cresce no mundo além de propiciar aquisição de know-how em diversas áreas.
            Como se não bastasse isso tudo é importante lembrar que a China é um dos 8 países do mundo que tem armas atômicas. Nós, sul-americanos, temos muito que aprender com o modelo chinês de desenvolvimento econômico e social pois em breve a China irá se tornar a maior potência industrial e financeira  do planeta.


Prof. João Neutzling Jr
Economista, Mestre em Educação.
 Faculdade de Tecnologia SENAC Pelotas

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